
Um ciclo é a vida, incrivelmente surpreendente e redonda. Agora dá pra ver que muitas coisas são pura besteira. Quantas besteiras por aí e por aqui! Mas de que adiantaria se não mergulhássemos e não nos permetíssemos viver as emoções tão fortemente arrebatadoras que a vida nos propõe exatamente no momento em que elas vêm a tona? De que adiantaria se a tudo que me acontecesse eu pensasse que seria só mais uma coisa e não desse a mínima importância. Eu não seria a mesma, não seríamos os mesmos agora. E de que adianta nos encondermos e fugirmos desesperadamente para trás das coisas. Pra trás de um amor, de uma igreja, de um ilusório modo de viver? Não há nada que o homem odeie mais que a sua própria dor. Porque está por dentro, latejando, ardendo, espetando, enlouquecendo. E então ele se esconde, sem saber que aquilo sempre volta mais cedo ou mais tarde. E de que tamanha burrice é se esconder e negar o que se tem por dentro para viver mais tarde, tudo outra vez. O ser humano teme a todo momento uns aos outros e aquilo que o habita. Não há harmonia em uma sociedade, jamais. E trata-se de uma terra extremamente fértil para enfermidades de toda escala. Não há saúde mental quando se vive em uma prisão e é onde estamos, maior parte de nós, encarcerados. A liberdade amedronta também. Ela e a responsabilidade, a coragem de fazer o que é preciso, de ser fiel a si mesmo, de seguir com a cara a mostra por aí. Nos aprisionamos, nos condenamos. Tornamos disso aqui um inferno, somos egoístas e destrutivos e nem sequer aceitamos nossa imagem no espelho, ao lermos isso. Não há diabo, meu irmão, o diabo somos nós!
