''Que horas são?'' - perguntam-me todos a todo instante. Ah, se eles soubessem que pouco me importa o que os malditos ponteiros apontam! E aquele tic todo ... como me irrita!
''Não sei, mas eu tenho muito pouco tempo!'' - certa vez respondi a alguém, cansado de engolir minha indignação. Obviamente a reação não foi das melhores, embora eu nem sequer tivesse dito quanto tempo que me resta. Pelo que eu esperava ainda ? ... uma boa questão. Talvez eu esperasse que algo pudesse ainda me fazer sorrir, nem que com o canto dos lábios, somente. E eu esperava ansioso e quase sem esperanças, mas eu aguardava e dava chance a mim mesmo, para que depois ninguém me dissesse que fui fraco e que faltou-me paciencia.
E lá estava em fim, no local escolhido ... e o tempo? Somente me decepcionara e me cansara. Agora, anos mais velho, observo que de nada serve essa invenção humana. Mas havia chegado a minha hora de surpreender a todos, punindo a mim mesmo. Mergulhei sem medo na água gelada, com algo nas mãos. Avancei, decidido, em direção a água, avancei ... E sentia meus pés e mãos entorpecerem-se com tão pouca temperatura. Cabelos já molhados estendiam uma longa faixa amarela no mar. Eu, particularmente sempre adorei o mar, talvez, fosse até minha maior paixão, em toda a vida. E ali estava disposto a me livrar, com ajuda da água fria, esse sentimento tão usurpador que ainda me restava, agora, somente pelo mar. Pois seria ele que me sufocaria, encharcaria em cheio meus pulmões e me livraria desse calvário de tempo e tudo mais ... Sentia arder, arder e arder minha garganta e já não dava pra ficar de pé ... enrolei-me desajeitadamente no que trazia nas mãos e esperei ... esperei ... Fechei os olhos e sentia dor, tanta dor e tanta paixão pelo mar, pelo amigo mar, o mensageiro ... Pensei em todos os anos que o tempo me iludira e nas palavras vazias que não me sustentavam nem mais por um segundo. Tudo tão vazio, tão premeditado, tão bem pensado, tão automático, tão humano e tão desumano ...tão cheio de desamor. Perdi noção de mim ! Perdi minha vida pra mim mesmo! Mas, deixara uma mensagem a todos que ainda insistiam em agir e sentir sempre da mesma forma.
10 de Abril de 2008,
Homem suicida-se e deixa frase boiando no mar de Ipanema.
Amor é para sempre, assim como eu.. paixão não!
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
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Muito Tragico...muito tragico mesmo o.o
ResponderExcluirMas ao mesmo tempo....muito bom mesmo =]
=**